Se a candidatura Geraldo Alckmin fosse uma empresa de capital aberto, poderíamos concluir que suas ações estavam artificialmente infladas ao final do primeiro turno e voltaram para um preço realista no segundo turno. Afinal, essa proporção de 3 para 2 entre os votos dados a Luiz Inácio Lula da Silva e ao tucano é antiga e relativamente constante. Clique aqui para ler Muito barulho por (quase) nada. No fim do primeiro turno, abriu-se uma janela de oportunidade para Alckmin, que a desperdiçou. Ele cometeu algum erro muito grave no momento mesmo em que o eleitor flutuante começava a pensar mais seriamente em apoiá-lo. Cada um tem a sua opinião sobre qual tenha sido esse erro. O que eu acho? Penso que Alckmin foi como uma corda que balançou longe demais do eleitor que não rejeitava a possibilidade de abandonar Lula. Quando o eleitor flutuante pensou em agarrar a corda, não conseguiu. A volta do eleitor flutuante ao ninho petista/lulista começou ainda antes do primeiro turno. Lembrem-se de que a primeira pesquisa do segundo turno já mostrou Lula numa posição razoavelmente confortável. A corda de Alckmin estava balançando muito à direita. O debate na TV Bandeirantes foi emblemático dessa opção do tucano. Alguns classificam aquele como o melhor momento de Alckmin. Pois eu acredito que tenha sido o seu maior equívoco. Os que já eram entusiastas da candidatura dele adoraram. E daí? É muito amadorismo você passar quatro semanas chamando Lula de ladrão e acreditar que o eleitor de Lula vai achar isso bonito. Lula, que não é bobo, aproveitou a chance e jogou a corda de Alckmin para mais longe ainda, ao introduzir na pauta as privatizações e o corte de investimentos sociais.
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